Quando uma guitarra e uma bateria se juntam num ritmo rápido e directo, acompanhadas por um refrão que faz sentido, em especial na voz de um vocalista que vive para morrer a cantar, então temos Rock! Rock puro, som genuíno, carregado de melodias e poemas prontos para mudarem o mundo ou pelo menos alegrar-nos o dia. «La Fuga» são umas dessas bandas evangelizadoras que se deviam escutar mais aqui pelo rectângulo. Baladas sinceras a combinarem estilos musicais entre metal, rock e flamengo. Tudo personificado numa voz carregada de personalidade e numa entrega ao vivo absolutamente louvável. A ouvir alto e muitas vezes.
Aipo salteado
Janeiro 13, 2012Leitãozinho em Coimbra
Janeiro 2, 2012
Apetite súbito à saída de uma visita ao Portugal dos Pequenitos em Coimbra. Confusão para sair das circulares da cidade, e meio por sorte parámos em frente a este Rui dos Leitões de quem vos falo agora. Delícia pura quer o ponto do bicho, quer o tempero, quer o vinho, quer a salada, o pão, etc, etc.
A repetir mesmo que à revelia da troika.
The Boss is coming to town!
Dezembro 3, 2011Foi há dezanove anos. Caramba como se tivesse sido ontem. O grande estádio de Alvalade tornou-se pequeno para mim, fanático confesso de Springsteen desde o momento que o ouvi pela primeira vez. Passados quase 20 anos é como se tivesse sido ontem. Em tudo. Ainda me lembro de fazer a Marginal no carro do Nuno Amaral com o «cantante» a rasgar alto todas as notas da E Street Band que uma k7 de 90 minutos podia conter. Memorável como aquele grande amor que fica para a vida. Thunder Road, Candy’s Room, e tantas outras. Ali. Ao vivo. Na voz do homem que nunca defraudou nem nunca se vendeu. Sempre igual a si mesmo. Hoje corri de manhã para a FNAC num regresso à adolescencia pura. Estavamos alguns em fila. Percebia-se pelo nervosismo em ter na mão o bilhete. Não fosse mesmo dar para o torto e esgotar. Agora é aguentar até dia 03 de Junho. eu vou lá estar. Bruce Springsteen we’re gonna give you another chance!
Crónica de um amor bonito
Novembro 17, 2011História de um grande amor este Domingo na Crónica do El Mundo. A relação secreta e pouco provável entre a Princesa Bibesco e José António Primo de Rivera. A Princesa “vermelha” e o fundador e líder da “Falange” espanhola.
Bonita mesmo de se ler quer pela intensidade do romance quer pela separação trágica ditada pelo assassinato de Primo de Rivera. A crónica perdida ou não assumida durante gerações começou com um enigmático bilhete encontrado na cela do “ausente”. Tinha simplesmente escrito “Je pense a toi. Love” e estava assinado por uma anónima Elisabeth a partir de Paris. Esta Elisabeth era não só filha de Herbert Asquith, antigo Primeiro Ministro britânico, como pertenceu a uma elite intelectual britânica da qual faziam parte nomes como Virgínia Wolf, Bertrand Russel, T.S.Eliot e Aldous Huxley. Escritora de algum renome casou com um dos Príncipes mais mediáticos da altura, Antoine Bibesco, aristocrata romeno de quem de quem viria a herdar o nome. A paixão por José António terá sido arrebatadora e repentina. Elisabeth escreveu a propósito dessa súbita paixão “ Si a una la viola España, queda embarazada para siempre”. Quando Primo de Rivera é levado para a cadeia e aguarda o célebre julgamento popular que acabaria por ditar o seu assassinato, a Princesa Bibesco tenta mover este mundo e o outro de forma a evitar o que seria inevitável. Com a morte do falangista abandona Espanha e foge da vivencia politica e social que sempre tinha tido. Dedicou o seu último livro a Primo de Rivera. O Prefácio é das declarações de amor mais bonitas que se escreveram.
A José Antonio Primo de Rivera: Te prometí un libro antes de empezarlo. Es tuyo ahora que está acabado. Aquellos a los que amamos mueran para nosotros solo cuando nosotros morimos.
Elizabeth Bibesco, The Romantic, Londres 1940
In El Mundo. Crónica 13/11/2011
Rocinha and the new wars
Novembro 12, 2011No Rio de Janeiro vive-se um acontecimento singular. O país em transe espera a tomada da Rocinha, favela emblemática da Cidade Maravilhosa. Um sem número de efectivos policiais e militares preparam uma operação que se quer sem falhas, à laia de Blitzkrieg. É que o Campeonato do Mundo 2012 e logo depois os Jogos Olímpicos assim o exigem. Limpar a cidade dum ponto de vista pragmático. Quase uma legitimação social da intervenção pública. Exigência de uma sociedade cansada de insegurança, que tal como preconizado por JJ Rousseau está pronta a abdicar de alguma parte da sua liberdade para garantir a plena segurança da sociedade. Nos próximos dias o modelo de Estado Policial volta ao Rio de Janeiro. O clima não será muito diferente daquele vivido nos tempos da ditadura militar. Acredito que cientistas sociais por todo o mundo vão escrever inúmeros tratados sobre o sucedido. Eu só lanço uma questão: e se resultar?
Há uma senhora chamada Mary Kaldor que publicou há uns anos uma obra entitulada «New and old wars : organized violence in a global era. ». recomendo vivamente a leitura aos interessados nestas matérias.
A Amazon vende-o aqui.
Related articles
- Antônio Bonfim Lopes, Brazilian Drug Lord, Arrested (nytimes.com)
- Drug kingpin in South America’s biggest favela arrested by Brazilian police (telegraph.co.uk)
- Rio favelas: key facts and figures (telegraph.co.uk)
- You: Alleged drug lord caught – in ‘diplomat’s’ car boot (guardian.co.uk)
- Brazil Police: Rio’s Most-Wanted Trafficker Caught (foxnews.com)
Domingo e o génio do Leo Cavalcanti
Outubro 23, 2011
Manhã de Domingo a estudar e com banda sonora aleatória pelo you tube. De repente surge este tal de Leo Cavalcanti e pára tudo. Este tipo ou é genial ou uma farsa grande. Senhor de uma voz única que prende pelo timbre e personalidade com que intrepreta cada canção. Depois é a riqueza de cada composição a lembrar outros sons da mpb mas tudo numa mescla perfeita e progressiva.
O melhor é ouvirem:
Contos de fuga
Outubro 19, 2011O Nuno Alves não é um escritor de praia desses que as palavras simpáticas se leêm de dia para ficarem esquecidas de noite. Não. O Nuno (Valério) Alves é um grande escritor desses que a benção das ondas inspira sempre prosas soltas e inquietantes. Lembro-me de, entre outras ondas e outras pranchas, grandes conversas com ele no «muro da Tricana» que nunca me deixavam indiferente. Tive o privilégio de ter sido por certo um dos seus primeiros leitores. Escritos curtos e metáforas intensas que infelizmente não tiveram então a publicação que mereciam. Passados uns anos, que já podemos dizer valentes, reencontrei a sua escrita. Não já no muro da praia das nossas vidas, mas compilados num livro que aqui recomendo vivamente a leitura. Pequenos contos soltos desses cuja leitura se repete com prazer ficando o desejo que outras escritas de outros tempos venham um dia a lume.
> Disponível para compra aqui:
http://br.blurb.com/bookstore/detail/2509345
London’s Burning
Agosto 9, 2011Londres está a arder e eu não gosto. Não é punk nem moderno, nem tão pouco chique. O disfarce de protesto já deu lugar à selvajaria visível. Quem por ali passou uma pequena parte da juventude entende a amargura. Quem põe aqueles bairros a arder merece um curral. E por muito tempo mesmo.
Publicado por Filipe Antolin 





