Crónica de um amor bonito

Novembro 17, 2011
English writer Elizabeth Bibesco née Elizabeth...

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História de um grande amor este Domingo na Crónica do El Mundo. A relação secreta e pouco provável entre a Princesa Bibesco e José António Primo de Rivera. A Princesa “vermelha” e o fundador e líder da “Falange” espanhola.

Bonita mesmo de se ler quer pela intensidade do romance quer pela separação trágica ditada pelo assassinato de Primo de Rivera. A crónica perdida ou não assumida durante gerações começou com um enigmático bilhete encontrado na cela do “ausente”. Tinha simplesmente escrito “Je pense a toi. Love” e estava assinado por uma anónima Elisabeth a partir de Paris. Esta Elisabeth era não só filha de Herbert Asquith, antigo Primeiro Ministro britânico, como pertenceu a uma elite intelectual britânica da qual faziam parte nomes como Virgínia Wolf, Bertrand Russel, T.S.Eliot e Aldous Huxley. Escritora de algum renome casou com um dos Príncipes mais mediáticos da altura, Antoine Bibesco, aristocrata romeno de quem de quem viria a herdar o nome. A paixão por José António terá sido arrebatadora e repentina. Elisabeth escreveu a propósito dessa súbita paixão “ Si a una la viola España, queda embarazada para siempre”. Quando Primo de Rivera é levado para a cadeia e aguarda o célebre julgamento popular que acabaria por ditar o seu assassinato, a Princesa Bibesco tenta mover este mundo e o outro de forma a evitar o que seria inevitável. Com a morte do falangista abandona Espanha e foge da vivencia politica e social que sempre tinha tido. Dedicou o seu último livro a Primo de Rivera. O Prefácio é das declarações de amor mais bonitas que se escreveram.

A José Antonio Primo de Rivera: Te prometí un libro antes de empezarlo. Es tuyo ahora que está acabado. Aquellos a los que amamos mueran para nosotros solo cuando nosotros morimos.
Elizabeth Bibesco, The Romantic, Londres 1940

In El Mundo. Crónica 13/11/2011

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Rocinha and the new wars

Novembro 12, 2011
Rocinha favela Rio de Janeiro 2010

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No Rio de Janeiro vive-se um acontecimento singular. O país em transe espera a tomada da Rocinha, favela emblemática da Cidade Maravilhosa. Um sem número de efectivos policiais e militares preparam uma operação que se quer sem falhas, à laia de Blitzkrieg. É que o Campeonato do Mundo 2012 e logo depois os Jogos Olímpicos assim o exigem. Limpar a cidade dum ponto de vista pragmático. Quase uma legitimação social da intervenção pública. Exigência de uma sociedade cansada de insegurança, que tal como preconizado por JJ Rousseau está pronta a abdicar de alguma parte da sua liberdade para garantir a plena segurança da sociedade. Nos próximos dias o modelo de Estado Policial volta ao Rio de Janeiro. O clima não será muito diferente daquele vivido nos tempos da ditadura militar. Acredito que cientistas sociais por todo o mundo vão escrever inúmeros tratados sobre o sucedido. Eu só lanço uma questão: e se resultar?

Há uma senhora chamada Mary Kaldor que publicou há uns anos uma obra entitulada «New and old wars : organized violence in a global era. ». recomendo vivamente a leitura aos interessados nestas matérias.

A Amazon vende-o aqui.

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Share a wave

Março 29, 2011

Após alguns anos de quase total inactividade voltei este ano ao surf e às lides das ondas. Foi uma bênção que pela exigência física que um inverno no mar representa mas sobretudo pela recompensa espiritual que esta actividade proporciona. Se a paciência é uma virtude fulcral para continuar porque tão depressa a corre bem, e é idílica, como a seguir temos uma sessão de «máquina de lavar» que nos deixa profundamente desmotivados. Quando aceitamos que é assim, entendemos os nossos limites. Percebemos a necessidade de «baby-steps» necessários para a evolução desejada. Passamos a saber ser persistentes e que nem todas as vezes serão boas, mas quando forem serão sempre mágicas. E dentro de toda essa magia há momentos que não se esquecem. Um deles aconteceu comigo este fim-de-semana após fuga ao mau tempo para uma praia perto de Peniche. Ausência de vento, maré perfeita e mar verde, transparente carregado de ondinhas bem simpáticas. Numa esquerda feita à medida, e drop no sítio certo, começa a curva e sinto a presença de alguém à frente na onda. Não estava à espera e vejo o meu enteado a cortar a mesma onda mesmo à minha frente. Os dois de sorriso feito e gritos para o ar. Valeu por tudo a alegria dessa partilha. Esse rasgar da onda a dois é mais saboroso do qualquer manobra com nome esquisito. como dizia alguém o melhor surfista da praia é o que se está a divertir mais. Nessa tarde fomos nós. Sem dúvida alguma.


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