História de um grande amor este Domingo na Crónica do El Mundo. A relação secreta e pouco provável entre a Princesa Bibesco e José António Primo de Rivera. A Princesa “vermelha” e o fundador e líder da “Falange” espanhola.
Bonita mesmo de se ler quer pela intensidade do romance quer pela separação trágica ditada pelo assassinato de Primo de Rivera. A crónica perdida ou não assumida durante gerações começou com um enigmático bilhete encontrado na cela do “ausente”. Tinha simplesmente escrito “Je pense a toi. Love” e estava assinado por uma anónima Elisabeth a partir de Paris. Esta Elisabeth era não só filha de Herbert Asquith, antigo Primeiro Ministro britânico, como pertenceu a uma elite intelectual britânica da qual faziam parte nomes como Virgínia Wolf, Bertrand Russel, T.S.Eliot e Aldous Huxley. Escritora de algum renome casou com um dos Príncipes mais mediáticos da altura, Antoine Bibesco, aristocrata romeno de quem de quem viria a herdar o nome. A paixão por José António terá sido arrebatadora e repentina. Elisabeth escreveu a propósito dessa súbita paixão “ Si a una la viola España, queda embarazada para siempre”. Quando Primo de Rivera é levado para a cadeia e aguarda o célebre julgamento popular que acabaria por ditar o seu assassinato, a Princesa Bibesco tenta mover este mundo e o outro de forma a evitar o que seria inevitável. Com a morte do falangista abandona Espanha e foge da vivencia politica e social que sempre tinha tido. Dedicou o seu último livro a Primo de Rivera. O Prefácio é das declarações de amor mais bonitas que se escreveram.
A José Antonio Primo de Rivera: Te prometí un libro antes de empezarlo. Es tuyo ahora que está acabado. Aquellos a los que amamos mueran para nosotros solo cuando nosotros morimos.
Elizabeth Bibesco, The Romantic, Londres 1940
In El Mundo. Crónica 13/11/2011

Publicado por Filipe Antolin 
