Hoje não puderam levar o Jimmy Jazz.

Hoje não puderam levar o Jimmy Jazz. Vieram cedo para prende-lo mas de manhã ninguém viu o Jimmy na praia. Safou-se ontem à noite. Embarcou num cargueiro para Angola. O destino era a herança de uma tia. Esperava-o uma fazenda de café com vista para o mar. Os «Roaring Forty» no jardim, uma mina de diamantes e 2 poços de petróleo. Isso só o Jimmy sabia. E no meio das vacas que seguiam naquele cargueiro para Luanda o Jimmy ria. Na praia a Polícia ainda perguntava por ele. Mas hoje ninguém vira o Jimmy Jazz. O que até causou estranheza. Ninguém se lembrava de uma manhã sem o Jimmy no mar. Todas as manhãs a remar para aquele pico que já quase tinha o seu nome. Era a sua onda. Mas hoje o Jimmy não remou. Não dera os bons dias à sua amante de toda a vida. Isso preocupava toda a praia. A Policia ter vindo para prender o Jimmy não era grave. Vinham com o pretexto da licença da bicicleta que não estava válida. Na verdade quem estava por trás de tudo era o filho do empresário dono de quase toda a cidade. Jimmy apanhou-o a ser bruto com a Rosinha. E na praia do Jimmy ninguém é bruto com crianças. A tareia que lhe deu justificava agora que qualquer motivo era válido para apanhar o Jimmy.

Valera a amizade de Jaime que o avisou a tempo de se meter num cargueiro e fugir para Angola. E ninguém conhecia o segredo da tia lhe deixara uma fazenda com vista para o mar. O surf mais perfeito só para si e para todos aqueles que ia ensinar. Porque isto das ondas sempre foi giro com companhia. E para Jimmy não havia nada melhor do que o sorriso de quem descia em pé a primeira massa de água até à areia da praia.

A polícia queria mostra serviço, mas o Jimmy não estava. Partira para Angola a bordo de um cargueiro carregado de vacas e galinhas. Não que em Angola não haja vacas e galinhas. Mas nisso não falamos. Porque o Jimmy também não queria saber. Só pensava que qualquer dia voltava. Sim tinha que voltar um dia. A sua praia ficara sozinha e Jimmy sabia que nunca se pode abandonar a nossa onda por muito tempo. Uns dizem que dá azar…Muito azar. E por isso não partem. Para o Jimmy era a saudade…. e isso fazia-o regressar sempre. Como se um mês ou 20 anos fossem ontem. Dava igual. Absolutamente igual…

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Autor: Filipe Antolin

Curiosamente à procura de outros pontos.

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