Assim não…

Começo por dizer que sempre fiz  questão de me assumir abertamente como militante do PSD. Cheguei a participar na vida ativa do partido ocupando inclusive um pequeno cargo numa comissão política local. Foi uma escolha feita de acordo com determinado ideário e, sem dúvida, influenciada por grandes figuras políticas que ali militaram. Recentemente envolvi-me na campanha interna do Paulo Rangel à liderança do PSD. Com a total crença que seria uma solução ideal para o Partido e para Portugal. Assim não aconteceu. Democraticamente aceitei a nova liderança, a qual chegou a entusiasmar em determinados momentos. Principalmente enquanto oposição. Uma vez governo, as desilusões foram sendo grandes. Talvez porque o partido tenha estado demasiado tempo na oposição. Talvez porque o ostracismo, a que foram votadas algumas das suas figuras maiores, tenha permitido a ascensão dos menos preparados, dos incultos, dos fracos de espírito. Por outro lado custa-me ver que também o PSD não conseguiu escapar a grupos ocultos e às suas pressões na prossecução de interesses muitas vezes dispares daqueles eleitores cujo voto colocou o partido no poder.

Mas pior é a via da incoerência a que se conseguiu chegar. Não podemos esquecer o passado sem comprometer o futuro. Não basta abdicar de uma parcela grande do que resta da soberania nacional em nome de um agrado a uma qualquer abstração chamada Troika. Entendemos que era necessário mudar de vida. Apertámos o cinto sem hesitações, mesmo sabendo que parte das medidas que nos anunciavam eram demasiado cegas para não serem tontas. Não fizemos barulho e fomos tidos como alunos bem «comportadinhos » que neste país continuam a imperar os «inhos» .

Ora a mesma vaca só se esfola uma vez. Tal como está tudo há que dizer assim não. Mesmo militando no partido de governo. Mesmo acreditando que somos sempre capazes de fazer a diferença. O problema é que não podemos virar costas ao país. Ver a vida do nosso povo como um inevitável «drama social». Atacar cobardemente os que não se podem defender enquanto se alimenta descaradamente um «protetorado» oriundo de arranjinhos e compromissos sinistros, mesquinhos e mesmo pornográficos.

Acabo com um texto de um grande social-democrata. Desses que me fazem continuar a acreditar que de facto o PSD é diferente. Quando de novo chamar a si novamente os melhores, fará de novo a diferença.

«Um governo que embrulha as suas comunicações ao povo em dias de jogos de futebol e um Primeiro-ministro que se alivia com La Feria e com Paulo de Carvalho. Um governo em que quem manda não foi empossado pelo Presidente da Republica, não é fiscalizado pelo Parlamento e não se senta no Conselho de Ministros. Um governo que fala em rigor, exigência e sacrifícios tendo Ministros como Miguel Relvas. Um governo que tira mais 34€ a quem ganha o salário mínimo de 485€, que confisca os reformados e despreza os seus servidores públicos. Um governo que denuncia o regabofe do povo mas ignora o regabofe dos amigos. Um grupo vestido de avental que tomou de assalto o meu Partido e retalha os restos do meu País. Um governo que não governa: assegura apenas que alguns se governem. As instituições que não funcionam. As oposições impotentes. Os sindicatos desacreditados. A Igreja calada. As Forças Armadas dissovidas. Um Chefe de Estado desrespeitado. Um povo embrutecido pelo medo. Um país pequeno, triste e cruel.» (autoria de Carlos Reis)
Carlos Reis

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Autor: Filipe Antolin

Curiosamente à procura de outros pontos.

1 thought on “Assim não…”

  1. Filipe, concordo revejo-me em cada uma das suas palavras. Sinto-me enganada, apesar de tudo, eu desta vez votei mais à direita, e em boa hora o fiz, ao menos existe uma coligação!Um peso, ou uma medida!

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