De Espanha não sopram bons ventos…

9ve876

Perdoem-me a simplicidade da imagem mas esta Europa parece um marinheiro ébrio a navegar à vista. Ruma directo aos baixios perigosos mas não altera a direção do leme num grau que seja. Segue ali hirto, de punho erguido a desafiar Adamastores imaginários. Não quer sequer adivinhar o desastre eminente tal a certeza de chegar a porto seguro.  Estas linhas surgem a propósito do hino da falange espanhola “Cara al Sol”, que encontrei cantado energeticamente num vídeo no you tube a ilustrar a «Marcha por la Unidad de España», realizada o ano passado. Com as trapalhadas socialistas em terras de Cervantes, deu-se azo à conhecida ideia da Catalunha independente. No início do Século XX vimos no que deu o movimento de autonomia liderado por uma burguesia industrial que em tudo se achava farta do jugo de Madrid, enquanto olhava com indiferença para a miséria reinante na restante pátria espanhola. A exaltação poética dessa independência, apoiada por toda a esquerda intelectual da altura, resultou numa violenta guerra civil, com uma profunda fragmentação da sociedade espanhola. A lição não foi aprendida. Por coincidência, não só chegamos ao início do Séc.XXI sob os auspícios de uma tremenda crise económica e financeira, como também vemos de nova, e quase sob os mesmos argumento, uma Catalunha a exigir determinantemente a separação do reino de Espanha, para lá de toda a autonomia que entretanto já tinha
conquistado.  

Ora voltando ao vídeo que originou estas linhas, vemos nele a reação de uma multidão defensora da unidade territorial e política do país. Observem bem a faixa etária dos ali presentes. Aposto que a maioria nasceu já depois do Franquismo. Até há bem pouco tempo não deviam ter uma mínima ideia sequer da letra do  “Cara al Sol”. Perceber a determinação com que se reúnem ali, cantando sem qualquer pudor o hino maior do fascismo espanhol, é a demonstração de uma Espanha em rutura, claramente dividida entre uma ideia de separatismo e um ideal de nação.

A austeridade como resposta de Bruxelas à crise, bem como a maior taxa de desemprego de sempre, não podem ser dissociadas da crise nacional espanhola. Não querer assumir a existência da mesma é rumar contra baixios afiados, prestes a desfazer que casco seja. Será que algum dos “brilhantes” tecnocratas de Bruxelas já fez as contas ao emergir de um conflito em Espanha? Os impactos na economia europeia? Não seria só o adivinhado fim do euro, mas sim o fim de toda a EU e do sonho kantiano da paz perpétua no velho continente.

Por mais que os gaspares da europa insistam em cobrir os olhos com vendas, de olhos fechados nenhuma caminhada é segura. Mas mais que tudo, em história não só há coincidências, como os factos se reptem. Não aprender com eles é condenar gerações ao retrocesso. Mais que novas políticas, é de  novos políticos que  necessitamos todos .

http://www.youtube.com/watch?v=jIKclUrLt5g

Anúncios

Autor: Filipe Antolin

Curiosamente à procura de outros pontos.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s