Será que dá Medina no Hawaii

Será que o menino chorão trás o primeiro título mundial de surf para o Brasil? Será Medina a próxima foquinha brasileira? Que o miúdo é bom ninguém duvida. tem muito de Ayrton naquela sua maneira de ganhar. E está a anos luz de outros contenders verde e amarelos. Resta saber se tem estrutura mental para ser campeão do Mundo aos 20 anos igualando um feito do Deus Kelly. Pipeline mais uma vez à beira de ver escrito um capítulo de ouro na história do surf profissional.

Este excelente  artigo da Época traduz bem a razão de toda a atenção em redor do do fenómeno Medina. Milhões de razões para isso, na verdade.

Mednay “Nunca vi tanta gente interessada em surfe. É assustador”. Um assessor de imprensa de uma marca de surfe corria, gritava, pulava. Valia de tudo para tentar organizar um batalhão de jornalistas atrás de um mísero minuto com Gabriel Medina. Era uma manhã do final de outubro e o surfista havia acabado de desembarcar no Brasil para um período de descanso e treino em Maresias (SP), onde mora. Ele vinha de uma derrota em Peniche, etapa do WCT (World Championship Tour, principal categoria do surfe), realizada em Portugal. Poderia ter sido campeão mundial ali, mas saiu da água antes do término da última bateria e a decisão ficou mesmo para as fortes ondas de Pipeline, no Havaí.

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Japão aqui ao lado

O Japão tem sido a inspiração para as últimas aventuras gastronómicas. Ontem foram, num titulo muito avental preto, umas almôndegas aux mirin em ninho de algas, que estavam perto da perfeição. Hoje saiu uma salada de gambas, wakame e sésamo numa receita seguida à letra a partir de um livro de cozinha japonesa. A combinação de texturas e sabores com origem no país do Sol não deixa de me surpreender. O principio da simplicidade de confecção é inversamente proporcional à complexidade dos sabores conseguidos. A descoberta das associações por detrás de cada prato fazem desta cozinha um vício que vai muito para lá dos tradicionais pratos de sushi e sashimi. Estas variantes são apenas a porta de entrada para um universo distinto. Não é fácil porque é sobretudo uma interiorização. A técnica contará sim, mas em segundo plano. Se o que acabo de escrever não é zen, então estou à beira do “Julinho”.

salad_wakame

American dream

Sim…os americanos não sabem onde é Portugal, e são brutos, burros, o mal do mundo,  e mais todos os preconceitos de esquerda anti Uncle Sam que queiram utilizar. A cena é que não estou a ver 4 putos de Chelas ou de outra zona desfavorecida de Portugal, participarem numa competição de robótica e limpá-la como se nada fosse. É que a a maçada da igualdade de oportunidades lá é levada pelo menos um pouco mais a sério.

Por isso fica a dica da noite para ler antes de dormir. Um excelente artigo da Wired, daqueles que fizeram dela publicação culto em algumas partes do mundo:

http://www.wired.com/2014/12/4-mexican-immigrant-kids-cheap-robot-beat-mit/team-660x505

Bruce Springsteen we’re gonna give you another chance

E novamente aqui aparece o Springsteen. Inevitável. Uma música para cada momento, como se estivesse ali dentro do carro connosco. Cada letra como se fosse nossa. Num tempo de pop alucinado e impessoal, o último trovador do rock puro dá-nos poemas e musicas para cada estação da vida. Nunca se rendeu. Nunca se vendeu. Insiste na utopia e no sonho de fazer coisas reais melhores do que são através de versos e trovas. Na legião de fãs que lhe é fiel são muitos os sorrisos cúmplices que acompanham cada um dos seus clássicos. Mesmo os mais modernos que surgem de repente e vão encontrando o seu espaço nas playlist perpétuas que fazem a sua obra. Que ande por aqui muitos e bons anos. Energia não lhe falta. Inspiração também parece que não.

Dois clássicos, um moderno, outro antigo:

«Estes lobos ‘tão cheios…»

Canta o Duda, hoje artisticamente «Tranquilo». Oiço. Gosto sempre das suas rimas,  pensadas e acutilantes.  Penso se a sua música passa na Assembleia da Republica. Quantos deputados o ouvem? Mesmo os da pretensa nova geração parlamentar? Imagino que poucos. Muito poucos mesmo. Quantos políticos engavetados sabem o que cantam as novas gerações nas ruas? Quantos conhecem os seus sonhos, receios, esperanças, lamentos? Não falo dos lugares comuns da esquerda, como o «desemprego,  educação,  emigração, e todos os outros «aõs» que parecem excitar bloquistas e comunistas. Falo do sentimento de saturação crescente face à incapacidade de sucessivas vagas de políticos em fazerem bem as coisas. Acertarem uma vez que fosse. O velho discurso  do funcionário público  malandro,  da economia refém da situação periférica e da crise internacional, entre tantos outros chavões deixou de colar. Há um vazio perigoso. Um vazio que não consegue contraria a ideia que os «Lobos estão cheios». Contrariar o pessimismo instalado. Contrariar o sentimento perigosamente emergente que a democracia falhou. Espero que para lá de concertações políticas para palcos externos, não se esqueça aquele plateau primeiro que tudo determina: o raio do país real.

De Espanha não sopram bons ventos…

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Perdoem-me a simplicidade da imagem mas esta Europa parece um marinheiro ébrio a navegar à vista. Ruma directo aos baixios perigosos mas não altera a direção do leme num grau que seja. Segue ali hirto, de punho erguido a desafiar Adamastores imaginários. Não quer sequer adivinhar o desastre eminente tal a certeza de chegar a porto seguro.  Estas linhas surgem a propósito do hino da falange espanhola “Cara al Sol”, que encontrei cantado energeticamente num vídeo no you tube a ilustrar a «Marcha por la Unidad de España», realizada o ano passado. Com as trapalhadas socialistas em terras de Cervantes, deu-se azo à conhecida ideia da Catalunha independente. No início do Século XX vimos no que deu o movimento de autonomia liderado por uma burguesia industrial que em tudo se achava farta do jugo de Madrid, enquanto olhava com indiferença para a miséria reinante na restante pátria espanhola. A exaltação poética dessa independência, apoiada por toda a esquerda intelectual da altura, resultou numa violenta guerra civil, com uma profunda fragmentação da sociedade espanhola. A lição não foi aprendida. Por coincidência, não só chegamos ao início do Séc.XXI sob os auspícios de uma tremenda crise económica e financeira, como também vemos de nova, e quase sob os mesmos argumento, uma Catalunha a exigir determinantemente a separação do reino de Espanha, para lá de toda a autonomia que entretanto já tinha
conquistado.  

Ora voltando ao vídeo que originou estas linhas, vemos nele a reação de uma multidão defensora da unidade territorial e política do país. Observem bem a faixa etária dos ali presentes. Aposto que a maioria nasceu já depois do Franquismo. Até há bem pouco tempo não deviam ter uma mínima ideia sequer da letra do  “Cara al Sol”. Perceber a determinação com que se reúnem ali, cantando sem qualquer pudor o hino maior do fascismo espanhol, é a demonstração de uma Espanha em rutura, claramente dividida entre uma ideia de separatismo e um ideal de nação.

A austeridade como resposta de Bruxelas à crise, bem como a maior taxa de desemprego de sempre, não podem ser dissociadas da crise nacional espanhola. Não querer assumir a existência da mesma é rumar contra baixios afiados, prestes a desfazer que casco seja. Será que algum dos “brilhantes” tecnocratas de Bruxelas já fez as contas ao emergir de um conflito em Espanha? Os impactos na economia europeia? Não seria só o adivinhado fim do euro, mas sim o fim de toda a EU e do sonho kantiano da paz perpétua no velho continente.

Por mais que os gaspares da europa insistam em cobrir os olhos com vendas, de olhos fechados nenhuma caminhada é segura. Mas mais que tudo, em história não só há coincidências, como os factos se reptem. Não aprender com eles é condenar gerações ao retrocesso. Mais que novas políticas, é de  novos políticos que  necessitamos todos .

http://www.youtube.com/watch?v=jIKclUrLt5g

Eurozona

“…Germany exports more than 55 percent of its goods to other EU countries, and eight of the top 10 German export markets are in Europe. Though Germany has been able to increase its exports outside of Europe, this cannot fully compensate for decreasing European demand, especially if import markets like China see a slowdown…” (Roland, Daniel in Stratfor)

Esqueçamos por agora a cozinha, a música, os livros e todos aqueles pequenos prazeres que nos vão aguentando num Inverno tão cinzento como este. Segue o rumo da prosa para a malfadada crise que se vai vivendo. Acredito que pagamos quase globalmente, o custo de uma geração rasca de políticos de pouco brio e nenhum talento. Afrouxamos durante algumas gerações nas nossas exigências enquanto cidadãos. Permitimos que o fenómeno do político de plástico vingasse. «Blame it on the media» dirão alguns mas os media foram apenas um canal para a propagação de uma mensagem. Bem fraca por sinal e sobre a qual não tivemos o discernimento de entender que não servia. Entretanto a soberania de Estados foi perigosamente violentada por instituições tão complexas quanto confusas são as cabeças de toda a classe de burocratas e tecnocratas instalada por essa europa fora.
Para onde caminhamos? Parece cada vez mais evidente. Como dizia um antigo professor de matemática, na altura de proceder à distribuição dos testes corrigidos, e virando-se para dois alunos que se tinham entreajudado durante a prova: «quando dois cegos caminham juntos para o precipício, a queda é certa e dolorosa»…Esta ideia de Europa que hoje vivemos devia ser repensada e quiçá refundada, sob pena de se demonstrar no curto prazo o quão utópico pode ser esse ideal-tipo da paz universal Kantiana. É que manifestamente não há Europa sem estados europeus soberanos. As diferenças fazem parte do nosso DNA. Os territórios destes países foram forjados a sangue. Conquistados a golpe de espada. Mantidos a tiro de metralhadora e alterados ao ritmo de bombardeiros. E essa herança não é uma coisa que se apague por «dá cá aquele subsídio». É preciso lembrar que um dos maiores períodos de paz aqui pelo Continente foi garantido não por planos económicos geniais mas e apenas pelo equilíbrio dos misseis balísticos que tão bem caracterizaram o período da Guerra Fria. De facto, quase que concluímos que a tensão entre “Blocos” fez mais pela harmonia na Europa do que não sei quantos anos de Planos de Fomentos Europeus, Políticas agrícolas comuns, e tantas outras artificialidades made in Brussels.

Assim não…

Começo por dizer que sempre fiz  questão de me assumir abertamente como militante do PSD. Cheguei a participar na vida ativa do partido ocupando inclusive um pequeno cargo numa comissão política local. Foi uma escolha feita de acordo com determinado ideário e, sem dúvida, influenciada por grandes figuras políticas que ali militaram. Recentemente envolvi-me na campanha interna do Paulo Rangel à liderança do PSD. Com a total crença que seria uma solução ideal para o Partido e para Portugal. Assim não aconteceu. Democraticamente aceitei a nova liderança, a qual chegou a entusiasmar em determinados momentos. Principalmente enquanto oposição. Uma vez governo, as desilusões foram sendo grandes. Talvez porque o partido tenha estado demasiado tempo na oposição. Talvez porque o ostracismo, a que foram votadas algumas das suas figuras maiores, tenha permitido a ascensão dos menos preparados, dos incultos, dos fracos de espírito. Por outro lado custa-me ver que também o PSD não conseguiu escapar a grupos ocultos e às suas pressões na prossecução de interesses muitas vezes dispares daqueles eleitores cujo voto colocou o partido no poder.

Mas pior é a via da incoerência a que se conseguiu chegar. Não podemos esquecer o passado sem comprometer o futuro. Não basta abdicar de uma parcela grande do que resta da soberania nacional em nome de um agrado a uma qualquer abstração chamada Troika. Entendemos que era necessário mudar de vida. Apertámos o cinto sem hesitações, mesmo sabendo que parte das medidas que nos anunciavam eram demasiado cegas para não serem tontas. Não fizemos barulho e fomos tidos como alunos bem «comportadinhos » que neste país continuam a imperar os «inhos» .

Ora a mesma vaca só se esfola uma vez. Tal como está tudo há que dizer assim não. Mesmo militando no partido de governo. Mesmo acreditando que somos sempre capazes de fazer a diferença. O problema é que não podemos virar costas ao país. Ver a vida do nosso povo como um inevitável «drama social». Atacar cobardemente os que não se podem defender enquanto se alimenta descaradamente um «protetorado» oriundo de arranjinhos e compromissos sinistros, mesquinhos e mesmo pornográficos.

Acabo com um texto de um grande social-democrata. Desses que me fazem continuar a acreditar que de facto o PSD é diferente. Quando de novo chamar a si novamente os melhores, fará de novo a diferença.

«Um governo que embrulha as suas comunicações ao povo em dias de jogos de futebol e um Primeiro-ministro que se alivia com La Feria e com Paulo de Carvalho. Um governo em que quem manda não foi empossado pelo Presidente da Republica, não é fiscalizado pelo Parlamento e não se senta no Conselho de Ministros. Um governo que fala em rigor, exigência e sacrifícios tendo Ministros como Miguel Relvas. Um governo que tira mais 34€ a quem ganha o salário mínimo de 485€, que confisca os reformados e despreza os seus servidores públicos. Um governo que denuncia o regabofe do povo mas ignora o regabofe dos amigos. Um grupo vestido de avental que tomou de assalto o meu Partido e retalha os restos do meu País. Um governo que não governa: assegura apenas que alguns se governem. As instituições que não funcionam. As oposições impotentes. Os sindicatos desacreditados. A Igreja calada. As Forças Armadas dissovidas. Um Chefe de Estado desrespeitado. Um povo embrutecido pelo medo. Um país pequeno, triste e cruel.» (autoria de Carlos Reis)
Carlos Reis