Monday sushi

2014-12-01 22.26.26 (1)Porque me apeteceu e por sorte tinha algas, arroz e vinagre em casa. O resto não é que seja fácil. Com a prática sai naturalmente e no fundo é uma cozinha tão bem mais simples do que se imagina. Mais arte requer a cozinha chinesa por exemplo. Bem mais sofisticada que a japonesa, o que não deixa de reflectir a diferença entre as duas culturas. A chinesa bem extravagante, a japonesa introspecção pura. Tanta filosofia a esta hora, e nem uma gota de sake bebi.

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O fiel com todos

Hoje sai um destes. Com todos. É o que apetece com a tormenta que se sente lá fora. Abrigamo-nos hoje dos ventos ciclónicos no conforto da simplicidade deste prato. Faz pensar na riqueza da nossa gastronomia. Os sabores mais complexos a par dos mais simples. O bacalhau e as suas mil e não-sei quantas receitas, como tantas outras que temos para o porco, a galinha, fora o arroz, os enchidos e companhia. Grande gente esta nossa. Bom apetite que agora urge abrir o vinho.

bacalhau_cozido

The Cure

A primeira vez que ouvi «The Cure» foi na voz do Gonçalinho Leandro, sempre muito avançado no que à boa música dizia respeito. Uma noite qualquer de deambulações entre Carcavelos e Oeiras e demos por ele a cantarolar uma qualquer música do Kiss me, Kiss me, Kiss me. Salvo erro o «hot, hot, hot» mas o álbum era esse porque foi imediatamente adquirido no dia seguinte e permanece guardado até hoje com a religiosidade que merece. Cimentei o culto pela banda no Liceu de Oeiras onde o negro das tendências vanguarda era predominante sendo a figura de Robert Smith naturalmente elevada a um patamar de superioridade máxima. E o engraçado era a forma consensual como isto se passava noutras tribos. Entre a malta da praia, bem mais colorida por sinal (Hey…it was the 80’s. People wore Zink) não havia festa em que Cure não passasse. Era exigência permanente a cada DJ, e isto de Cascais ao Bairro Alto, exceptuando talvez o 2001.
O alternativo daquele som. O poder do baixo, da bateria, da guitarra… o timbre de voz absolutamente único e as letras. Hinos negros ao amor, poemas de sofrimento atroz ou euforia desmesurada. Quem não amou ou chorou ao som dos “Cure” perdeu parte substancial dos anos 80 e pouco do bom que houve nos 90.
Não sei se o segredo passa pela mistura melódica que conseguem. A originalidade quer da presença em palco quer da postura musical alternativa que sempre mantiveram projetou-os a um mainstream universal, com um público fiel que “gostam muito”…é que não há meio termo para esta banda. Ou se ama ou se detesta. Eu amo e acho que cada vez estão melhores

Vão estar aí por Lisboa brevemente. Até vou lá vê-los.


 

Tortilha de um ovo South Beach Style

A dieta de South Beach tem sido a minha fórmula de perder e controlar peso nos últimos anos. Antes dela nunca tinha experimentado nenhuma. Não só resulta como abre a porta a uma cozinha diferente, assente na ideia que somos todos diabéticos em potência e que o grande inimigo é o açúcar. Um principio  válido que dá lugar a pratos ligeiros, muito ricos em vegetais. Esta tortilha que preparo abaixo é inspirado nesses princípios. Para lá de um ovo, hoje usei pimento, cebola e courgette nas doses apropriadas, claro.

Primeiro é passar por azeite os vegetais,temperando-os com uma pitada de sal e pimenta  enquanto à parte o ovo é misturado com um pouco de leite e salsa. Após algum tempo de fritura retire da frigideira os vegetais, deixando o fundo de azeite na mesma. Junte os vegetais ao ovo batido e misture bem. Devolva tudo ao azeite que ficou na frigideira e deixa a tortilha ganhar volume. Vire-a rapidamente e deixe-a ligeiramente ao lume. Pronta a servir e pode ser acompanhada por tomates sherry e queijo tipo quark. Bom apetite!

Mais sobre a dieta South Beach aqui!

Contos de fuga

O Nuno Alves não é um escritor de praia desses que as palavras simpáticas se leêm de dia para ficarem esquecidas de noite. Não. O Nuno (Valério) Alves é um grande escritor desses que a benção das ondas inspira sempre prosas soltas e inquietantes. Lembro-me de, entre outras ondas e outras pranchas, grandes conversas com ele no «muro da Tricana» que nunca me deixavam indiferente. Tive o privilégio de ter sido por certo um dos seus primeiros leitores. Escritos curtos e metáforas intensas que infelizmente não tiveram então a publicação que mereciam. Passados uns anos, que já podemos dizer valentes, reencontrei a sua escrita. Não já no muro da praia das nossas vidas, mas compilados num livro que aqui recomendo vivamente a leitura. Pequenos contos soltos desses cuja leitura se repete com prazer ficando o desejo que outras escritas de outros tempos venham um dia  a lume.

> Disponível para compra aqui:

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Manif

Estive lá sim, assim como quase todos. Havia rascas à rasca, claro que sim como sempre houve aliás. Mas depois também havia aqueles mesmo à rasca que pensando bem eramos todos os outros que lá estavam. Um país à rasca devido à gente rasca que por aí vai mandando. Percebeu-se isso. E também que estamos à beirinha de um estado de saturação total.  Saturação de tudo e de todos sem sabermos bem de quê. Sabemos é que democracia não é votar de 4 em 4 anos.  Sempre pretendeu ser bem mais do que isso. por mais que aqui no burgo uma corja que por aí se instalou pretenda fazer pensar o contrario.  Se perdurarem as obras e os aventais, amanhã será irremediavelmente tarde demais.